A convite da Expand visitaram o país neste mês duas importantes figuras do universo dos vinhos espanhóis: V. Dalmau Cebrián da tradicionalíssima e venerável bodega Marqués de Murrieta, fundada em 1852, e o jornalista José Peñín, do Guia Peñín de vinhos da Espanha. Com mais de 8 mil vinhos avaliados, é um guia indispensável para quem aprecia o vinho espanhol, um campeão da relação preço X qualidade.
No final dos anos 70, Rioja era de longe a melhor região vinífera de Espanha, quando lá estive para um curso de verão em Navarra, atraída pela qualidade da universidade e dos vinhos. Saíamos da sala de aula direto a la calle , para percorrer bodegas e nos regalar com “tapas e vinos”. Ali provei alguns dos clássicos e tradicionalmente bons vinhos de Rioja.
O tempo passou e regiões como Ribera Del Duero e Priorat passaram a freqüentar o topo das listas dos vinhos de maior qualidade. Só mais recentemente as bodegas de Rioja reagiram e se dispuseram a “pegar o touro à unha” em vez de correr dele como se faz nas corridas de San Fermín em Pamplona. E já provaram que são capazes de encontrar o tênue equilíbrio entre tradição e contemporaneidade.
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| Dalmau Cebrián, Peñín e Otávio Piva |
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Se Rudyard Kipling fosse enólogo, certamente acrescentaria ao seu famoso poema mais um SE , dedicado aos que têm a audácia de transgredir com o que há de arcaico no tradicional e preservar o que há nele de clássico. Na venerável Marqués de Murrieta, os homens deste SE são D. Vicente Cebrián, conde de Creixell (falecido em 1996 prematuramente) e D.V. Dalmau Cebrián, o atual conde de Creixell e presidente da bodega. A prova de sua capacidade está no premiado e contemporâneo Dalmau 1999 que já levou as três estrelas da Decanter, 91 pontos de Robert Parker e o Dalmau 2003 que recebeu os 94 pts da Wine Spectator.
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| Castillo Ygay Gran Reserva |
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Vale a pena provar e comprovar a elegância dos tintos Marqués de Murrieta Reserva 2004 e do Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2000 de aromas mais complexos. O primeiro provém de vinhas de 36 anos de idade: 91% Tempranillo, 6% Garnacha e 3% Mazuelo para garantir a acidez e frescor. Envelhece por 25 meses em barris de 225 l de carvalho americano novos e semi-novos. O Castillo Ygay (87% Tempranillo e 13% Mazuelo) com 88 ptos da Wine Spectator (que significam vinho muito bom com qualidades especiais) é produzido apenas nas melhores safras. Envelhece 34 meses em barris de 225 l, 50% em madeira de primeiro uso.
Degustamos também um delicioso branco, o Pazo de Barrantes Albariño 2006 da bodega de Rias Baixas, na Galícia. A albariño recorda os aromas florais e minerais da Riesling e as ricas texturas da Viognier. Um vinho “ non-cerebral ” para ser apreciado em happy hours e aperitivos
Entretanto, a surpresa da degustação conduzida por Dalmau Cebrián e Peñín (que não contou com o Dalmau) foi o fantástico Capellanía Reserva Blanco 2003, 100% Viura, uma cepa nativa de Rioja, que leva o nome de macabeo em Penedés e integra os bons cavas da Catalunha. A da safra de 2003 provém de vinhedos de 65 anos de idade, envelhece por 18 meses nos barris de 225 l americanos e franceses novos e recebeu 89 pts da Wine Spectator. Um vinho para hablar com Dios, como dizem os espanhóis para se referirem a vinhos extraordinários.