Fomos convidados a participar de uma degustação de vinhos suíços.
Vinhos suíços?! Afinal a Suíça, com todo respeito, ao que sabemos
é um país lindo, mas bom de queijos e chocolates e não de vinhos!
Ledo engano. Era uma quinta-feira final de julho, no Rio de Janeiro,
cujo inverno de nada lembra o clima suíço. O local, a L’Orangerie,
uma delicatesse localizada no “estiloso” bairro das Laranjeiras
no Rio de Janeiro à vista do Cristo Redentor. Ali participamos quase
semanalmente de excelentes degustações. O responsável pela apresentação
dos vinhos, José Augusto Saraiva, é o proprietário da importadora
Vitis Vinífira (www.vitisvinifera.com.br).
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Degustação
no L’Orangerie
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Fomos apenas para cumprir tabela. Afinal, certamente nada de muito
promissor nos aguardava, tratando-se de vinhos suíços! Aquele país
possui uma pequena extensão de vinhedos, cerca de 15 mil hectares
mas um grande consumo per capita. São 40 litros por habitante/ano
equivalente a um consumo anual de 300 milhões de litros/ano (51%
são de vinhos brancos e 49% de tintos). Deste total, cerca de 60
% são importados. Trata-se, portanto, de um país importador de vinhos
(o 10° maior do mundo). Possui, no entanto, diversas regiões produtoras.
Nossa degustação limitou-se aos vinhedos da região du Valais, região
às margens do Lago Leman, no alto Rhone com mais de 50 variedades
de uvas, algumas únicas no mundo, com vinhas entre 450 m e 850 m
de altitude, nas encostas escavadas pelas antigas geleiras dos Alpes.
Região de clima continental com noites frescas e de muito sol e
calor, no verão.
Chega de informações e vamos aos
vinhos. Na abertura dos trabalhos degustamos o vinho branco Fendant
(Chasselas) AOC du Valais, com um corte de Fendants selecionadas
e vinificadas à maneira tradicional. De aroma floral e frutado com
uma estrutura agradável, assinalada pela leve presença de gás carbônico,
esse vinho possui certa complexidade e uma agradável maturidade
servindo para um perfeito aperitivo e combinando muito bem, com
entradas, peixes e pratos com queijo. É a harmonização clássica
da Raclett.
O segundo vinho branco foi a primeira grande pérola da noite. O
Petite Arvine 2005 – Maître de Chais. Os aromas são típicos de grape
fruit e frutas cítricas, com destaque para o abacaxi e o maracujá.
Com 14% de álcool possui também, notas minerais características
do terroir das Arvines de Fully. Harmoniza bem com os crustáceos,
salmão defumado e peixes do mar. Possui ainda ataque final que demonstra
todo o seu vigor e persistência. Laureado com 10 medalhas de ouro,
7 de prata e 2 de bronze em concursos europeus desde 2004, certamente
faz jus a todas elas. Excelente.
Outro craque da noite foi o Humagne Rouge 2005. Vinho de cor vermelho
rubi, de grande complexidade aromática, mesclando frutas vermelhas,
violetas, aromas minerais e defumados. É amadurecido em carvalho
durante 12 meses e tem 13,5% de álcool. Muito redondo e estruturado,
com taninos firmes e elegantes, de guarda por cerca de 6 anos. Adorei.
Outro merecidamente “medalhado” servido na noite foi o Syrah du
Valais 2005 – Maître de Chais. Com 4 medalhas de ouro, 13 de prata
e 2 de bronze de concursos europeus este AOC tem 13,5% de álcool
e é um produto da vinificação tradicional, com longa maceração e
maturação em barricas de carvalho por 12 meses. Tem cor vermelha,
forte, nariz de especiarias, lembrando o cravo e aromas apimentados.
De estrutura sólida, maciça e firme acompanha todas as carnes, inclusive
de caça. Vinho de longa guarda, com potencial de 15 anos. Comparável
aos tintos Syrah’s de qualidade do velho mundo mas com o inigualável
toque suíço.
Para não esquecer da noite, foi-nos servido, por último, acompanhado
de uma torta "apfelstrudel" de primeira, o Marsanne blanche (Hermitage)
2004. Do produtor Nicolas Zufferey este adocicado (60 g/l) com 13,5%
de álcool foi fermentado e amadurecido em barricas de carvalho.
É o resultado de uvas colhidas a mão, super maduras e selecionadas
individualmente. Um néctar! Desnecessário dizer que acabei comprando
todos e mais um Pinot Noir, também da região, que ainda não degustei.
Depois eu conto.