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Decanter Wine Show: um espetáculo.
Por Silvia Cintra Franco*

Como dizem os americanos, last but not least . O wine show da Decanter pode ter sido o último do ano, mas jamais o menor. Na verdade foi um show de vinhos de qualidade e de boas surpresas.

 
Sauvignon Gris 2007  

A primeira surpresa veio do Uruguai, mais exatamente da Bodega Filgueira: um branco Sauvignon Gris 2007. Isto mesmo, não é Pinot Gris nem Sauvignon Blanc, mas uma mutação desta última. É uma uva rara e autóctone produzida por mais uma mulher obstinada e bem sucedida do mundo dos vinhos: Martha Chiossoni, esposa de José Luis Filgueira, filho do fundador da bodega. Trata-se de um branco muitíssimo agradável, de excelente acidez e com alma alegre e refinada. A R$ 30,10 a garrafa, é um autêntico BB, bom e barato.

 

Outra surpresa é o Sauvignon Blanc 2007 da Raka, vinícola da África do Sul. Os neozelandeses que se cuidem, pois é um vinho delicioso, fresco com muito caráter, que pode fazer sombra aos bons brancos desta cepa na Nova Zelândia. A safra de 2006 recebeu 4 estrelas, em 5, no concurso John Platter South African Wines 2006. A R$ 76.
Gratíssima surpresa foi a mesa de queijos assinados pela Cooperativa Paulo Capri: Talleggios, Chevrotin, Brie, Pont Leveque, Boursin, San Paulin, Camembert. Excelente escolha da Decanter para harmonizar com os vinhos servidos...
Ainda nos brancos, prazer total com o Chardonnay Piodilei Langhe 2006 da Pio Cesare: um branco fantástico, excelente acidez mineral, equilibrado e elegante, que pode ser de guarda, inclusive (R$ 202). A melhor relação preço X qualidade é o Barbera d'Alba 2005, maravilhoso, envelhecido por um ano e quatro meses em barril usado. Vale os R$ 107,50. Mas se você quiser um vinho que o leve aos céus, vá direto ao Barbera d'Alba Fides 2004 de belo aroma no nariz, frutas vermelhas, um alcaçuz mágico com um finalzinho de estragão. Complexo, fino e elegante (R$ 210). O Barbaresco 2003 está muito bom, mas o Barolo 2003 (R$310) e o Barolo Ornato(R$ 413) estão fantásticos. Este último é complexo, elegante, macio na boca, taninos ótimos.

 

 
Chateau Bel Air  

Da França, destaco os ótimos Château Bel Air Perponcher Grande Cuvée da família Despagne, conduzida por Jean-Louis Despagne, um francês de personalidade cativante e bom domínio do português. O branco é um corte inspirado de 40% Sémillon e 60% Sauvignon Blanc, de aroma inebriante e delicioso (R$ 104). Tão bom quanto o branco é a sua versão rouge: 80% Merlot e 20% Cabernet Sauvignon: sedoso, com um belo aroma de ameixa preta e boa persistência. Produzem 4 mil garrafas por hectare. Também um vinho para se apaixonar e se encantar quando souberem o preço: R$ 126. C'est pas mal!

Mais surpresas? Pois não há como se cansar delas, pois são todas boas. Experimente o Pinot Noir 2006 de Santa Catarina. É maravilhoso, desde claro que você não o compare com os de Monsieur Albert de Villaine do Domaine Romanée-Conti. Garanto que está melhor do que alguns borgonhas vendidos por aí (e também nos States) e que se esvaem – aroma e sabor – milésimos de segundos após se sacar a rolha. Bom aroma e sabor. Custa R$ 52. Enfim, um bom vinho nacional de preço honesto e correto.

Da Puglia (Accademia dei Racemi), os vinhos de Gregório Perucci que já não surpreendem quem os conhecem: são sempre muito bons. Gregório trabalha somente com uvas autóctones, é profundo conhecedor dos solos de sua tórrida Puglia e produz vinhos intrigantes e saborosos. O Primitivo di Manduria Archidamo 2004 é fácil de beber e delicioso (R$ 65) e não por acaso recebeu 2 bicchieri em 3 do Gambero Rosso.
Ainda resta falar de tantos bons vinhos e o espaço não é suficiente. Foram 45 produtores e me perdoem a injustiça de não comentar seus vinhos, todos muito bons.

 

* Silvia Cintra Franco é escritora, enófila e sócia da Associação Brasileira de Sommeliers.



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