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I Feira de vinhos Biodinâmicos - Renaissance des Appelations.
Por Silvia Cintra Franco*

Com o subtítulo sugestivo de Renaissance des Appelations, ou o retorno do terroir, aconteceu a primeira feira de vinhos biodinâmicos da América ( em São Paulo , 29 de abril) que reuniu 42 produtores mundiais de vinhos capitaneados por Nicolas Joly, o grande porta voz da agricultura biodinâmica.
Renascimento das apelações, retorno ao terroir, porque – segundo o mítico Nicolas Joly, um dos mais respeitados profissionais do vinho da atualidade (ele detesta que o chamem de enólogo) – pesticidas e outras químicas alteram as características do solo e, portanto, do terroir e de sua apelação

 

 
Guilherme Velloso da Wine Style/ABS e Geneviève Barmes  

Joly começou sua conversão à biodinâmica ao perceber que a prática da agricultura tradicional – dos pesticidas e fertilizantes – levou seu vinhedo a mudar radicalmente em poucos anos. O terreno havia se alterado, os insetos desaparecido, as perdizes sumido e o solo se ressentia. Isso o levou a pensar como as raízes captam seu alimento do solo, como o solo vive? Um químico resolveria isso compensando ou retirando nutrientes, sais, pois imagina que assim resolve o problema como um todo. Mas não é, exatamente assim, que a coisa funciona .

 

É na alteração radical desta forma nociva, embora usual de fazer vinhos que os produtores biodinâmicos que vieram à Feira acreditam e praticam. Eles integram um grupo criado por Joly em 2001: são 153 viticultores de 13 países comprometidos em garantir a expressão absoluta das apelações e vinhos de alta qualidade com grande originalidade.

 

 
Nikolaihof Wachau  
Ali estavam Christine Saahs da Nikolaihof Wachau com quem tive contato em 2006 ao passar de bicicleta por Wachau (Áustria) em direção à Viena. Os primeiros vinhos biodinâmicos que tomei foram seus Grüner Veltliner Smaragad: eu não conhecia esta cepa e fiquei encantada. Na Feira, Christine trouxe também um belo Riesling Smaragad Im Weingebinge entre outros. Não deixe de experimentar. A Casa do Porto é a responsável pela distribuição de seus maravilhosos vinhos brancos ( rodrigo@casadoporto.com ).

 

 

 

 

A Alsácia trouxe diversos representantes, alguns deles ainda sem importadores junto a nós. É o caso do Domaine Barmès Buecher de deliciosos Rieslings e um maravilhoso Gewurztraminer Steingrüber 2006 que levam às nossas papilas a expressão única de seu mineral terroir. O Riesling Grand Cru Hengst 2004 é potente, de boa acidez, belo aroma e mineralidade cítrica. É torcer para que encontre logo um importador .

 

 
Marcel Deiss  

O Domaine Marcel Deiss trouxe o fantástico Grand Cru Mambourg com potencial de envelhecimento de 15 a 20 anos. Jean-Michel e Clarisse Deiss se ocupam com os 20 hectares de vinhas espalhadas em 9 comunas e 20 km de colinas. A variação extrema das condições de produção levaram o casal a buscar expressar em cada vinho os três fatores que fazem um vinho completo: a variedade da cepa, a safra, o terroir. E a verdade é que cada um dos vinhos de Marcel Deiss degustados na Feira fazia jus a este mote. Na Mistral ( www.mistral.com.br ).

Outra presença a destacar era a do papa dos vinhos orgânicos Jean-Pierre Amoreau com seu Château Le Puy, tema do artigo “Château Le Puy, o verdadeiro vinho de vinhateiro” disponível no site. A destacar o ótimo Barthélemy sem adição de sulfitos. Na World Wine ( www.worldwine.com.br ).


Silvia e Christine Saahs

A viticultura do Château Lagarette remonta ao tempo dos romanos. Para o casal Olympe e Yvon Minvielle usar pesticidas é ou falta de conhecimento ou uma forma deliberada de maltratar o ecossistema para obter lucros imediatos. Seu Château Lagarette 2003 tem um belo aroma de fruta madura e confirma na boca o que prometeu ao nariz. Importado pela Expand.

 


Finalmente, vale destacar os vinhos da Tenuta di Valgiano, cuja pisa é feita pela própria Laura Collobiano que nos ofereceu uma taça de seu Tenuta di Valgiano 2005, de característico aroma e cor.

Pode-se afirmar com certeza que no nariz e na boca os vinhos biodinâmicos da Feira cumpriram seu compromisso de originalidade e especificidade. O bom do vinho biodinâmico é que além de nos livrar dos males residuais de pesticidas etc., também combatem a mesmice ao revelarem as particularidades de seu terroir e a mineralidade específica de cada solo.

 

 

* Silvia Cintra Franco é escritora, enófila e sócia da Associação Brasileira de Sommeliers .



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