Eles são vinhateiros desde 1610, não têm enólogo, nem conselho administrativo, não usam produtos químicos nem pesticidas. Respeitam as vinhas e o ambiente como já o faziam seus ancestrais. E sabem que as plantas dependem não somente do solo, do sol, mas também da lua, do movimento dos astros, do vai e vem incessante de insetos e outros animais. Não são crédulos nem pararam no tempo, como pode suspeitar a vã filosofia, mas avançaram em pesquisas e desenvolveram com metodologia científica um savoir faire na elaboração de vinhos orgânicos e biodinâmicos. Orgânicos desde 1610, são biodinâmicos desde 1990. E vieram a São Paulo para participar da I Feira de Vinhos Biodinâmicos.
Para Michel Rolland, Jean-Pierre Amoreau é o papa dos vinhos orgânicos. E para o seleto grupo reunido por Celso World Wine La Pastina , seus vinhos Le Puy e Barthélemy são maravilhosos, elegantes, de taninos finos, aromas complexos e bem equilibrados: vinhos gastronômicos confessos, prazerosos sem serem óbvios.
Da Appellation Bordeaux Côtes de Francs, o Château Le Puy está localizado no mesmo platô rochoso de Saint-Emilion e Pomerol, o chamado “Plateau das Maravilhas”, por causa da excelência de seus vinhos. Segundo Jean-Pierre Amoreau, 85% da planta vem do que vem de todo o ambiente e da energia que a envolve. Daí o esforço de preservar o terroir sem químicas e pesticidas que alteram o equilíbrio e a ordem natural. “É um lugar que passa uma energia mística” confessou Matthieu Peluchon, gerente nacional da World Wine, que já esteve no Château Le Puy.
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| Jean Pierre e Françoise Amoreau e os chefs Renata Braune e Emmanuel Bassoleil |
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O respeito pelo terroir, como expressão natural do solo, é absoluto. As pragas são prevenidas dentro dos princípios da biodinâmica. A colheita é manual, sem uso de chaptalização, de leveduras adquiridas no mercado e adição de sulfitos. Produzem uma média de 29,45 hl por hectare nos últimos dez anos, seus vinhos envelhecem de 20 a 24 meses em barris antigos de madeira. O engarrafamento se faz sem filtragem e de forma meticulosa durante a lua minguante, daí que no fundo da garrafa sempre haja um depósito.
Foi-nos oferecido Le Puy das safras 2003, 2004, 1996 e por último um 1971, atijolado e de grande complexidade aromática. O Le Puy é um corte 85% Merlot, 14% Cabernet Sauvignon e 1% Carmenere com uma produção de 105 mil garrafas ao ano. O Barthélemy tem o mesmo corte sem a Carmenere, é mais complexo, profundo com minúscula produção de 6500 garrafas ao ano.
Os vinhos de Jean-Pierre e Françoise Amareau provaram à mesa do Piselli sua vocação para a gastronomia e prazer. O Le Puy 2004 acompanhou à perfeição o Tonno al Porto com Riso Nero. São vinhos maravilhosos que não canibalizam a comida nem atropelam o paladar. E infundem um bem estar e uma energia únicos. Na World Wine, fone 11-3383-7477 e www.worldwine.com.br .