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Ca'Marcanda, a cantina.
Por Silvia Cintra Franco*

Em Ca'Marcanda (Castagneto Carducci na alta Maremma toscana ao sul de Livorno) são produzidos o Promis, o Magari e o Camarcanda, feitos com uvas plantadas nos 100 ha . da cantina: Merlot, Cabernet Sauvignon e em menor quantidade Cabernet Franc, Syrah e Sangiovese. Nada vem de fora.

 
Cantina  

O nome Ca'Marcanda – expressão piemontesa - faz referência às longas tratativas conduzidas por Angelo Gaja para convencer o antigo proprietário a vender a “azienda”, voltada majoritariamente às oliveiras e frutas.
A cantina se desdobra e expande sob centenárias oliveiras e planos interligados para evitar o stress do vinho. Giovanni Bo, o arquiteto, projetou uma cantina fascinante, contemporânea e despojada, de traços largos e amplos, totalmente integrada à paisagem e com baixíssimo impacto ambiental.

 

 
barris  

 

Uma cantina na qual sobressaem a funcionalidade e a tecnologia aliadas à arte, uma beleza! Basta descer à cave, repleta de barris prenhes de vinho, e descobrir a um canto “Gravidez”, uma bela peça de Giovanni Bo feita em madeira de barrica.

 

 

 

 

Cubas

 

As cubas são propositalmente elevadas para garantir a total higiene do local.

 

 

 

 

 

 

 
Sala degustação  

Na moderna sala de degustação, provamos um Magari 2005 (50% Merlot, 25% Cabernet Sauvignon, 25% C.Franc) fresco, de bons taninos, boa acidez e 14,5% de teor alcoólico. Toques de pimenta, um tantinho de menta fresca e uma gota de café. Um vinho redondo, rico e elegante. Sua estrutura sedosa revela os 14,5% de álcool.

 

 

 

 
Ca'Marcanda 2005  

Em seguida tivemos o privilégio de degustar o Ca'Marcanda 2005 ainda não liberado para venda e nem sequer etiquetado. De composição diversa do Magari: 50% de Merlot, 40% de C.Sauvignon e C.Franc, é vinho de encher a boca, pleno e sólido, mais estruturado, mais complexo e profundo, com um aroma maravilhoso de rosas e chocolate. E 14,5% de álcool.

 

Não havia tempo para visitar a cantina de Barbaresco, mas ele veio até nós. Degustamos na ampla sala provida de luz e arte, um Barbaresco 2005, 100% Nebbiolo, ainda jovem, com taninos presentes, uma acidez que clama por comida e no nariz uma azeitona preta madura de dar água na boca. Sem dúvida, um grande vinho, embora adolescente. Fechamos a visita e a degustação com um Sperss 2004 de Langhe, 96 % Nebbiolo e 4% Barbera, muito intenso e persistente. De longe, o mais complexo dos cinco vinhos degustados.

 

* Silvia Cintra Franco é escritora, enófila e sócia da Associação Brasileira de Sommeliers .



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