Toscana é roteiro de viagem de 9 entre 10 amantes do vinho e de 10 entre 10 amantes das artes plásticas... Foi berço do Quatroccentto que renovou as belas artes e conduziu ao Renascimento. Também é berço dos três mais importantes vinhos tintos da Itália: o Chianti, o Brunello de Montalcino e o Vino Nobile de Montelpuciano.
É a terra onde rebeldes com causa fizeram – e ainda fazem – a revolução e a modernização do vinho italiano desde os 60 e os 80 do século passado. Outro autêntico renascimento.
Anos atrás fui à Toscana por conta das artes, este ano pelos vinhos. Eu não era fã do Chianti, entretanto visitar a região e conhecer os bons produtores me fizeram mudar radicalmente de opinião. O Chianti é um belo vinho, diferente daqueles que aqui vieram no passado ou da versão intragável vendida nas pizzarias .
A fórmula do Chianti Clássico – Sangiovese, Canaiolo e a branca Malvasia – é criação de Bettino Ricasoli, em 1874, cuja família faz vinhos no Chianti desde o séc. XII.
A fórmula foi largamente copiada, o vinho popularizou-se por ser fácil e ter boa acidez para refeições. Entretanto, acabaram por incluir mais uma uva branca ao corte, a Trebbiano, e não tardou para que o Chianti se transformasse num autêntico fiasco. Fiasco, ou fiasci (o plural), é o nome que se dá às garrafas que se mantêm de pé graças à cesta de palha. Há quem acredite que daí derive o atual sentido do termo fiasco: da ruindade daqueles vinhos que, felizmente, não existem mais.
Lá fui eu, pois, visitar o berço do Chianti: a Cantine del Castello di Brolio do Barone di Ricasoli, onde se produzem hoje vinhos de qualidade sob a direção do 32º barão de Ricasoli, o fotógrafo e publicitário Francisco Ricasoli, responsável pelo renascimento dos vinhos de Brolio e sua ascensão ao cenário de qualidade, segundo Hugh Johnson.
Em 1993, Francisco Ricasoli recomprou a cantina da família, então em mãos de uma grande indústria (então 9 milhões de garrafas) e iniciou o projeto de modernização da cantina e replantio das vinhas. Em dois anos recebeu a menção honrosa do Gambero Rosso como melhor produtora de vinhos. Atualmente produz dois milhões de garrafas em 250 ha.de vinhas replantadas para garantir a tipicidade integral de seus vinhos.
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Os vinhos da Ricasoli ostentam dois tipos de rótulos dentro da filosofia de transparência da empresa: as etiquetas de Brolio identificam vinhos mais conservadores e tradicionais. Aquelas sem referência ao nome – como a do supertoscano Casalferro – indicam vinhos mais modernos e comprometidos com o paladar do consumidor.
Brolio (R$ 38) é a versão juvenil do Chianti Clássico para ser bebido jovem. Tem um bouquet persistente de violetas e frutinhas vermelhas. Equilibrado, taninos e acidez elegantes, doze meses de barrica, 100% Sangiovese, acompanha bem pratos mais leves de massa e carne. Excelente relação custo X benefício .
Castello di Brolio (R$ 110) Sangiovese e pequena parcela de uvas de outras variedades é o cru , vinho top da casa, produzido apenas nas melhores safras. 18 meses em barrica e 19 dias de maceração das cascas sob temperatura controlada. Complexo e estruturado, com toques de couro, frutas vermelhas e defumado. No palato é envolvente e intenso com taninos suaves e grande equilíbrio. Confesso que me encantou.
Casalferro Toscana IGT (R$ 180) é o meu preferido com seu 30% de Merlot e 18 meses em barricas novas. É um vinho moderno, redondo, concentrado e poderoso, delicioso aroma e boa persistência.
A Cantina do Castello di Brolio agenda visitas e degustações via shop@ricasoli.it
No Brasil a importação é da World Wine ( www.worldwine.com.br ) que dá 15% de desconto nos vinhos Ricasoli aos leitores de Adegas & Vinhos (até fim do estoque).