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O vinho e o calor
Por Silvia Cintra Franco*

O amante do vinho pode se cercar de todos os cuidados para garantir o bom estado de seus vinhos: adquiri-los em lojas refrigeradas e transporta-los imediata e cuidadosamente para a adega climatizada de sua casa.

 
Pojega  
Todos esses cuidados, entretanto, podem ser inócuos se levarmos em conta o que Matt Kramer, colunista da Wine Spectator, adverte em seu “Os Sentidos do Vinho”: para o vinho “o calor pode ser sua ruína, ou ao menos acelerar uma “maturidade” desequilibrada”.

A maturação ou envelhecimento do vinho resulta de reações químicas, que podem se dar ao longo do tempo ou se precipitarem por efeito do calor que acelera as reações químicas ao aumentar a velocidade das moléculas. Velozes, elas colidem, criam energia e ativam outras moléculas. Nesta hiperatividade, vão-se embora o frescor e o frutado; o que resta é uma bebida ruim e desinteressante.

Quando a maturação se dá pelo tempo e baixa temperatura, o caráter frutado, tão próprio da juventude, cede lugar ao aroma acentuado de buquê de garrafa, mas o frescor permanece.

Daí a eterna angústia do enófilo: onde adquirir seus amados vinhos? Por esse motivo, saí como o filósofo Diógenes com minha lanterna acesa em plena luz do dia atrás de importadoras que não submetam seus vinhos a contêineres e depósitos sem refrigeração, os modernos fumarium , aquela câmara onde os antigos romanos “envelheciam” seus vinhos, deixando-os perto do fogo e do fumo.

Dei sorte na primeira visita: a importadora Vinci. O depósito estava refrigerado e resistia com firmeza aos escaldantes 34°C daquela tarde de verão paulistana.

A boa notícia para os amantes de vinho deste nosso país tropical é que todo o contêiner que a Vinci importa sai refrigerado do produtor e segue refrigerado todo o caminho até chegar ao seu depósito. E como Matt Kramer adverte e a Vinci confirma, o custo do contêiner refrigerado é alto: um contêiner sem refrigeração comporta mil caixas de vinho, o refrigerado carrega novecentas. Encarece o frete, mas vale a pena.

Urban Uco

Dos bons vinhos que degustei na Vinci, posso recomendar pela boa relação qualidade e preço:

•  Bourgogne Rouge 2005 do produtor Camille Giroud, meio corpo, 12,5%, uvas Pinot Noir de Meursault (US$ 53.50) pela sua elegância.

•  Pojega Ripasso 2005, tinto de Guerrieri-Rizzardi, Veneto, 13,5%, encorpado, uvas Rondinella e Molinara, 12 m . barril francês e eslovênio (US$$39.90). Belo vinho com uma textura aveludada.

•  Urban Uco Tempranillo 2004 de O. Fournier, Mendoza, 14,5%, encorpado. 3 m em barrica. US $ 15.90. Muito saboroso, um autêntico best buy.

 

A Vinci atende no Rio pelo telefone (21) 2246-3674 a/c de Lílian Braga que me informou aceitar pedidos de qualquer tamanho, inclusive os que cabem em meu bolso, isto é, uma garrafa. E o transporte refrigerado é garantido. Em São Paulo o telefone é (11) 6097-0000

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* Silvia Cintra Franco é escritora, enófila e sócia da Associação Brasileira de Sommeliers .



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