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New York Wine Experience
A Maratona de Vinhos de Nova York
Silvia Cintra Franco*

Que tal degustar um Premier Cru Classé 2003 do Château Mouton Rothschild servido pessoalmente pela Baronesa Philippine de Rothschild? Ou um Gaja Langhe Conteisa 2001 apresentado pelo sempre amável Ângelo Gaja? Ou um Masseto 1997 Tenuta dell'Ornellaia servido em garrafa Magnum?

 
Baronesa Philippine de Rothschild
 

Esta intensa e fantástica oportunidade de degustação faz parte da New York Wine Experience - NYWE, evento internacional em sua 27ª edição, organizado pela prestigiosa revista americana Wine Spectator.

Foram três dias intensos (25 a 27 de outubro) de degustações e contato com os melhores produtores e enólogos do mundo, pouco mais de 250 expositores do porte de uma Krug, um Château Cos-d’Estournel, Castello Banfi, Antinori, Vega Sicília, Alion, Hugel, F.X.Pichler e diversos bons americanos como Dominus, Opus One e outros menos famosos por aqui como Ridge, Paul Hobbs, Seghesio, J. Schramsberg e Ferrari-Carano de excelente Chardonnay.

O NYWE é evento prestigiadíssimo pelos produtores. Ali estavam Lamberto Frescobaldi, Michel Chapoutier, Paul Hobbs, Marilisa Allegrini, Franz Hirtzberger, Albiera Antinori entre muitos outros, além dos já mencionados Ângelo Gaja e Baronesa de Rothschild.

Embora a Wine Experience seja famosa pela “Critics’ Choice Grand Tasting”, que se desenrola duas noites seguidas, o que me deu chance de degustar o Sassicaia 2003 que perdi na primeira noite (entretida com os châteaux e domaines franceses), o evento traz uma programação intensa e instigante que se inicia às 9 horas da manhã e segue até às 15 horas, quando temos umas poucas horas de descanso para preparar, corpo e palato, para a maratona de degustações (259 produtores!) que tem hora para começar (18h30), mas não necessariamente para acabar (22h).

Degustação às cegas

Salão de degustações

A edição deste ano inovou com uma degustação às cegas de sete vinhos. Além das taças de degustação, cada um dos 1500 participantes contava com um equipamento de votação para indicar o preferido. Nos bastidores, uma equipe de sommeliers garantia o bom estado e temperatura correta de todos os vinhos que chegavam às nossas taças em mãos de um exército ágil de garçons.

Tão interessante quanto à degustação em si foi a informação prévia sobre o método e procedimentos de pontuação seguidos pelas equipes da Wine Spectator para a avaliação de vinhos.

À diferença de não poucos críticos, as avaliações são feitas às cegas, por mais de dois avaliadores. A Wine Spectator foge dos riscos do chamado “efeito de halo”, em que o rótulo e o nome do produtor acabam por influenciar o julgamento, conforme constataram em experiência na qual o mesmo vinho - servido em garrafas de rótulos diferentes - foi submetido a julgamento. O resultado final é surpreendente: os críticos deram boas notas para o vinho da garrafa de rótulo de prestígio e desprezaram o da segunda cujo rótulo era desconhecido.

Levou o título da degustação às cegas, com 36% dos votos, o meu segundo preferido, um Schrader Cabernet Sauvignon Napa Valley Beckstoffer ToKalon Vineyard MMV 2005 (Ols Sparky) de US$250, uma centena de caixas de magnuns de produção total e sem pontuação alguma da Wine Spectator.

O primeiro para o meu personalíssimo palato foi um Shea Pinot Noir Willamette Valley Shea Vineyard Estate 2004 do Oregon - 14% dos votos, 95 pontos WS, $38.

Os lanterninhas:
o único português de todo o evento (à exceção dos Porto presentes na degustação noturna): um Quinta do Vale Meão Douro 2005 - 6% dos votos, 94 pontos WS, $62;
um Nicolas Rossignol Volnay-Santenots 2005 - 4% dos votos, sem pontuação WS, $92.

Os demais vinhos foram:
Bodegas Alto Moncayo Garnacha Campo de Borja 2004 - 25%, 92 pontos WS, $44;
Trafford Shiraz Stellenbosch 2003 - 8%, 94 pontos WS, $65;
Château Pontet-Canet Pauillac 2005 - 7%, 95 pontos WS, $125.

Presença de Grandes chefs

Outro grande e desafiador momento do evento era a programação da tarde. Porque não bastassem as degustações matutinas, havia as do almoço sentado (nada de buffet) a cargo de um grand chef como Michael Mina do Michael Mina de San Francisco ou de Wolfgang Puck, chef austríaco do Spago de Los Angeles

Caviar e lagosta

No primeiro dia de entrada, Puck nos ofereceu Spago Lobster Salad with Winter Vegetables and Tsar Nicolai Caviar, de segundo Slow-Braissed Short Ribs Chinois with Ginger-Glazed Carrots a serem harmonizados com nada menos do que dez garrafas de vinhos austríacos sobre a mesa: seis brancos, três tintos e um colheita tardia para você se servir à vontade e buscar a melhor harmonização. Um deles era um F.X.Pichler Riesling Smaragad Trocken Wachau Loibner Berg 2006, outro um Prager Grüner Veltliner...

No outro dia, o almoço era assinado pelo americano Michael Mina. De entrada: uma Chilled Maine Lobster, Avocado-Lime, Passion Fruit Gelée; de segundo: Barbecue Pork Shortrib Bacon-Braised Collard Greens White Bean & Bell Pepper Purée. Os vinhos? Uma dúzia redonda de seis brancos americanos, dos quais sobressaiam um Luna Freakout Napa Valley 2006 e um Selene Sauvignon Blanc Carneros Hyde Vineyards 15th Anniversary 2006. Para acompanhar a bisteca de porco, seis tintos, quase todos syrah californianos. Minha opção preferencial foi pelo Shafer Relentless Napa Valley 2004.

Ermitage e Horizontal Italiana de 1997

A degustação da tarde era uma prova de tenacidade. Não havia trégua para os enófilos: começava imediatamente após o almoço.

Na primeira tarde, a uma e meia da tarde, retomamos as degustações com oito Ermitage, comentados pelo próprio winemaker Michel Chapoutier. Confesso que a esta altura meus sentidos já se encontravam ligeiramente descalibrados, mas ainda assim pude constatar a excelência dos vinhos e de que o Ermitage Le Pavillon 2000 ainda era uma criança.

Na tarde do segundo dia, tratei de me conter no almoço e segui desperta e bravamente para a anunciada horizontal italiana de 1997, grande safra e um marco para a Itália, quando se fizeram vinhos fantásticos. Degustamos um Barolo Le Rocche del Falletto de Bruno Giacosa, um Nebbiolo de Gaja Langhe Sori San Lorenzo; Marchesi de Frescobaldi apresentou seu Brunello di Montalcino Castelgiocondo Ripe al Convento Riserva, a Altesino seu Brunello Montosoli, Marchesi Antinori um magnífico Solaia, Le Pupille trouxe da Toscana um Saffredi e Foradori um adolescente Teroldego Rotalio Granato, tão baby quanto o Allegrini Verona La Poja. Todos 1997.

Nova NYWE internacional apenas em 2009. Mas vale aguardar!

* Silvia Cintra Franco é escritora, enófila, sócia da Associação Brasileira de Sommeliers



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